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Sábado, dia 20 de Fevereiro em Gomide, Vila Verde
Por Bruno Mota in "fórum abouaaboua"
«Há dias em que vale mesmo a pena sair de casa para voar. Hoje foi um desses dias. As previsões indicavam vento do quadrante sul, com a intensidade a aumentar ao longo do dia, aproximadamente 2 nós a cada três horas. Nestas condições a probabilidade de haver uma janela voável era muito forte. 8:15 toca o despertador, mas não me apetece levantar, fico mais um bocado, levanto-me meia hora mais terde, tomo café nas calmas e vou até Caldelas, onde o Abel disse que iria estar, pelo caminho um percalço que poderia dar para o torto, mas correu bem. Passados alguns minutos em Caldelas chega o Abel, dizendo que o Edson estava à espera em Gomide. Apanhamo-lo na aterragem e subimos, vento a entrar algo de leste. São 11:30 e o Abel descola, subindo entre os bicos dos penedos, eu saio também e tentando apanhar uma linha de subida na esquerda, que corre bem à primeira mas, acabei por perder bastante altura, por ter ido lá segunda vez, tardiamente tento recuperar encostado na ladeira e acabo por marrecar. Descolou o Edson e aguentou-se na ladeira enquanto o Abel me veio buscar. Quando voltamos à descolagem o Edson faz top landing. São quase 13:00, volto a sair e desta feita faço a ladeira como deve ser e passados 5 minutos top landing, sai o Abel e em poucos minutos faz também top landing. Saio de novo e faço dois top landing’s. Sai o Abel, nesta fase a ladeira é “curta” para duas asas, pelo que nesta fase fomos trocando quem voava. São 13:20, o Abel aterra e cede-me lugar para voar, não sem antes darmos umas turras com as asas infladas, descolo e passados alguns minutos tudo se muda, entrou o sol e eis que a asa me sobe como uma doida na vertical, mantenho-me na zona, entretanto o Abel descola e sobe comigo, quando vejo ter altitude suficiente fecho o giro e em menos de 3 minutos vou para os 900m com o Abel mais alto lá atrás, entretanto o Abel perde altura ao avançar, eu estou mais à frente e ainda subo acima dos 1000m. O Abel junta-se a mim quando ao avançar perco alguma altitude, já nesta fase se nota alguma dificuldade em avançar, sendo necessário recorrer ao acelerador. Passados cerca de 20 minutos o Abel aterra e eu sinto-me tentado a fazer o mesmo, mas o vento na descolagem diz-me que posso não conseguir voltar a descolar e as condições em voo estão boas, mantenho-me no ar. Como o acelerador é nesta fase uma necessidade o Abel ajuda o Edson a instalá-lo, mantendo-se ambos no chão até à chegada do Pedro d’Amares e do Hugo. Por volta das 14h descolam ambos e depressa os vejo subir até junto de mim e o Pedro ir bem mais alto. De seguida é a ladeira típica de Gomide, com alguma componente de térmica que permitiu ir brincando, fazer linhas e triangulações e de vez em quando enrolar. Entretanto chegam o Chico e o Carlão, por volta das 15h. Descola o Carlão, entretanto à passagem de uma nuvem o vento aumenta, fazendo com que de acelerador a fundo se avançasse muito pouco. Eu estava como cerca de 100m sobre a descolagem no lado direito, o Pedro em frente à descolagem, vejo-o fazer orelhas e nota-se pela posição dele que está a usar bastante acelerador. Avanço devagar inicialmente, depois quando já avanço mais meto orelhas para baixar e assim que a velocidade aumenta tiro as orelhas, mantendo o acelerador. Decido avançar para a aterragem, pois as condições podem piorar e perto do relevo estou mais sujeito a que algo corra mal. Pelo caminho vejo uma tentativa de descolagem, que não o chegou a ser. Avanço relativamente bem e estou nesta fase bastante alto para a aterragem e, quando estou por cima da aldeia sinto a asa puxar-me na esquerda com o vário a apitar, olho para a aterragem e vejo que estou alto, era irresistível, enrolo, a deriva é forte, mas a térmica também, em quatro ou cinco voltas estou com quase 1000 metros junto à descolagem, aí paro de enrolar para não me deixar ir para trás da montanha, avanço para a aterragem de novo, e a interagir com uma nuvem, vou avançando a subir com acelerador metido a nuvem mexe comigo, mas faz-me subir em troca. Entretanto nesta fase aterraram todos à excepção do Abel. Encontro-me por cima da aldeia no centro da nuvem e sinto-me subir, experimento meter orelhas e continuo a subir, tiro as orelhas e sigo em frente sem grandes problemas, chego por cima da aterragem com 600 a 700 m sobre esta. Esboço três wingovers e fico uns 100 200 m atrás da aterragem, meto acelerador e avanço além do campo de aterragem, assim o vento traz-me para o campo. Nesta fase lá em cima, voam na ladeira o Chico, o Abel e o Edson. Já posicionado faço mais uns wingovers e um 360, do qual o vento me ajuda a sair com suavidade, estou sobre o campo, quando paro oiço de novo o vário, estou a subir, vou ter que “forçar” a descida, esboço mais uma série de wingovers, depois de me reposicionar, perco altura, faço oitos para entrar no campo, vejo pelo fumo o vento a entrar bem de sul, já avanço melhor de mãos em cima, entro alto no campo, pois o vento fará que não avance muito e aterro sem problema algum. Arrumo a asa e vou até à descolagem onde entretanto chega o Ricardo e mais tarde o Dino. O vento está forte e só o Abel ousa descolar, quebrando o acelerador a meio do caminho. Aterrou em Gomide pequeno. Grande dia de voos. No final fomos comer uns petiscos no Pico, não sei o nome da tasquinha… O meu voo: voo de 2:20, com o vário a marcar um máximo de 6.4, num dia que permitiu o uso pleno da polar da asa, desde acelerador todo até perda (ao aterrar) passando pelo afundamento mínimo e melhor planeio, uso de orelhas, utilização de conceitos como o gradiente de vento e escoamento, voo em térmico, dinâmico e termodinâmico, passagens baixas na descolagem, voo em formação próxima com o Abel e alguma acrobacia. Este relato é muito longo pois este foi um dos voos mais completos que já fiz e como já disse no qual usei muito do que aprendi ao longo do último ano… »
Uma excelente descrição do Bruno que aliás está de parabéns pelo voo termico (e não só) que fez.
Fotos:
Abel »»»
Bruno »»»
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Comments
Gostava de de la ter estado...
:confused:
...
...
Abraço
Stol- termo brasileiro para o Inglês stall, significa perda, dá-se por ser excedido o ângulo de ataque crítico da asa
Parachutagem - situação de voo em que a asa deixa de voar de uma forma normal para ter uma velocidade horizontal muito inferior, o peso como força propusiva perde a capacidade de imprimir velocidade horizontal, situação recorrente na saída de B's mal executada em asas velhas.
Back flying, do inglês voar para trás..
Com se anula um pêndulo?
Falando de Polar como o Bruno Falou.
Qual a diferença entre um backflying e uma parachutagem e um Stol?
Boas
Nem todo o mundo o sabe
Mas, foi muito divertido.
Talvez precisassem de um local mais alto para manadarem os Tumblings e os Infinity!!!!