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20 de Fevereiro
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 Bruno Mota
 Em 1º plano - Pedro; Em 2º plano - Bruno

ver pequeno filme:

http://www.youtube.com/watch?v=bETiW2VWEBc

 

Sábado, dia 20 de Fevereiro em Gomide, Vila Verde

 

Por Bruno Mota in "fórum abouaaboua"

«Há dias em que vale mesmo a pena sair de casa para voar. Hoje foi um desses dias. As previsões indicavam vento do quadrante sul, com a intensidade a aumentar ao longo do dia, aproximadamente 2 nós a cada três horas. Nestas condições a probabilidade de haver uma janela voável era muito forte.
8:15 toca o despertador, mas não me apetece levantar, fico mais um bocado, levanto-me meia hora mais terde, tomo café nas calmas e vou até Caldelas, onde o Abel disse que iria estar, pelo caminho um percalço que poderia dar para o torto, mas correu bem. Passados alguns minutos em Caldelas chega o Abel, dizendo que o Edson estava à espera em Gomide. Apanhamo-lo na aterragem e subimos, vento a entrar algo de leste. São 11:30 e o Abel descola, subindo entre os bicos dos penedos, eu saio também e tentando apanhar uma linha de subida na esquerda, que corre bem à primeira mas, acabei por perder bastante altura, por ter ido lá segunda vez, tardiamente tento recuperar encostado na ladeira e acabo por marrecar. Descolou o Edson e aguentou-se na ladeira enquanto o Abel me veio buscar. Quando voltamos à descolagem o Edson faz top landing.
São quase 13:00, volto a sair e desta feita faço a ladeira como deve ser e passados 5 minutos top landing, sai o Abel e em poucos minutos faz também top landing. Saio de novo e faço dois top landing’s. Sai o Abel, nesta fase a ladeira é “curta” para duas asas, pelo que nesta fase fomos trocando quem voava.
São 13:20, o Abel aterra e cede-me lugar para voar, não sem antes darmos umas turras com as asas infladas, descolo e passados alguns minutos tudo se muda, entrou o sol e eis que a asa me sobe como uma doida na vertical, mantenho-me na zona, entretanto o Abel descola e sobe comigo, quando vejo ter altitude suficiente fecho o giro e em menos de 3 minutos vou para os 900m com o Abel mais alto lá atrás, entretanto o Abel perde altura ao avançar, eu estou mais à frente e ainda subo acima dos 1000m. O Abel junta-se a mim quando ao avançar perco alguma altitude, já nesta fase se nota alguma dificuldade em avançar, sendo necessário recorrer ao acelerador. Passados cerca de 20 minutos o Abel aterra e eu sinto-me tentado a fazer o mesmo, mas o vento na descolagem diz-me que posso não conseguir voltar a descolar e as condições em voo estão boas, mantenho-me no ar.
Como o acelerador é nesta fase uma necessidade o Abel ajuda o Edson a instalá-lo, mantendo-se ambos no chão até à chegada do Pedro d’Amares e do Hugo. Por volta das 14h descolam ambos e depressa os vejo subir até junto de mim e o Pedro ir bem mais alto. De seguida é a ladeira típica de Gomide, com alguma componente de térmica que permitiu ir brincando, fazer linhas e triangulações e de vez em quando enrolar. Entretanto chegam o Chico e o Carlão, por volta das 15h. Descola o Carlão, entretanto à passagem de uma nuvem o vento aumenta, fazendo com que de acelerador a fundo se avançasse muito pouco. Eu estava como cerca de 100m sobre a descolagem no lado direito, o Pedro em frente à descolagem, vejo-o fazer orelhas e nota-se pela posição dele que está a usar bastante acelerador. Avanço devagar inicialmente, depois quando já avanço mais meto orelhas para baixar e assim que a velocidade aumenta tiro as orelhas, mantendo o acelerador. Decido avançar para a aterragem, pois as condições podem piorar e perto do relevo estou mais sujeito a que algo corra mal. Pelo caminho vejo uma tentativa de descolagem, que não o chegou a ser. Avanço relativamente bem e estou nesta fase bastante alto para a aterragem e, quando estou por cima da aldeia sinto a asa puxar-me na esquerda com o vário a apitar, olho para a aterragem e vejo que estou alto, era irresistível, enrolo, a deriva é forte, mas a térmica também, em quatro ou cinco voltas estou com quase 1000 metros junto à descolagem, aí paro de enrolar para não me deixar ir para trás da montanha, avanço para a aterragem de novo, e a interagir com uma nuvem, vou avançando a subir com acelerador metido a nuvem mexe comigo, mas faz-me subir em troca. Entretanto nesta fase aterraram todos à excepção do Abel. Encontro-me por cima da aldeia no centro da nuvem e sinto-me subir, experimento meter orelhas e continuo a subir, tiro as orelhas e sigo em frente sem grandes problemas, chego por cima da aterragem com 600 a 700 m sobre esta. Esboço três wingovers e fico uns 100 200 m atrás da aterragem, meto acelerador e avanço além do campo de aterragem, assim o vento traz-me para o campo. Nesta fase lá em cima, voam na ladeira o Chico, o Abel e o Edson. Já posicionado faço mais uns wingovers e um 360, do qual o vento me ajuda a sair com suavidade, estou sobre o campo, quando paro oiço de novo o vário, estou a subir, vou ter que “forçar” a descida, esboço mais uma série de wingovers, depois de me reposicionar, perco altura, faço oitos para entrar no campo, vejo pelo fumo o vento a entrar bem de sul, já avanço melhor de mãos em cima, entro alto no campo, pois o vento fará que não avance muito e aterro sem problema algum. Arrumo a asa e vou até à descolagem onde entretanto chega o Ricardo e mais tarde o Dino. O vento está forte e só o Abel ousa descolar, quebrando o acelerador a meio do caminho. Aterrou em Gomide pequeno. Grande dia de voos.
No final fomos comer uns petiscos no Pico, não sei o nome da tasquinha…

O meu voo: voo de 2:20, com o vário a marcar um máximo de 6.4, num dia que permitiu o uso pleno da polar da asa, desde acelerador todo até perda (ao aterrar) passando pelo afundamento mínimo e melhor planeio, uso de orelhas, utilização de conceitos como o gradiente de vento e escoamento, voo em térmico, dinâmico e termodinâmico, passagens baixas na descolagem, voo em formação próxima com o Abel e alguma acrobacia. Este relato é muito longo pois este foi um dos voos mais completos que já fiz e como já disse no qual usei muito do que aprendi ao longo do último ano… »

 

Uma excelente descrição do Bruno que aliás está de parabéns pelo voo termico (e não só) que fez.

 

Fotos:

Abel »»»

Bruno »»»

 

Comments 

 
#11 Samuel 2010-03-01 23:49
Bom video Abel....
Gostava de de la ter estado...
:confused:
...
...

Abraço
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#10 Alguém 2010-02-24 20:38
Pêndulos- travar a asa para ela nunca passar à frente do piloto, na situação em que a asa está atrás, manter a posição dos manobrDORES PORQUE A SEGUIR ELA vem para a frente e recupera-se como foi dito. A situação em que a asa fica atrás não é muito perigosa, já quando avança a propensão a fechos é muito grande...

Stol- termo brasileiro para o Inglês stall, significa perda, dá-se por ser excedido o ângulo de ataque crítico da asa

Parachutagem - situação de voo em que a asa deixa de voar de uma forma normal para ter uma velocidade horizontal muito inferior, o peso como força propusiva perde a capacidade de imprimir velocidade horizontal, situação recorrente na saída de B's mal executada em asas velhas.

Back flying, do inglês voar para trás..
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#9 Joãozinho Acro Show man 2010-02-24 20:03
Alguém sabe de um bom ibnstrutor para Acro????

Com se anula um pêndulo?
Falando de Polar como o Bruno Falou.
Qual a diferença entre um backflying e uma parachutagem e um Stol?

Boas
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#8 Joãozinho Acro Show man 2010-02-24 20:00
Porra!!!! Se o rapaz queria descer apertava bem a curva e entrava numa Espiral.... agora é preciso saber sair da espiral.
Nem todo o mundo o sabe
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#7 Abel Costa 2010-02-24 18:42
Quando o Bruno utilizou o termo acrobacia não foi com rigôr, foi mais uma "privte joke"; dois pilotos fizeram voo de formação com toque das pontas das asas e um andou a deitar uma das Bandas A abaixo para treinar frontais assimétricos. Sítios onde não haja água por baixo não são bons sat's, helis, tumblings e infinty...
Mas, foi muito divertido.
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#6 Joãozinho Acro show man 2010-02-24 16:20
Gostei muito dos comentários...
Talvez precisassem de um local mais alto para manadarem os Tumblings e os Infinity!!!!
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#5 flyforever 2010-02-24 16:17
:kiss:
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#4 BIBI 2010-02-24 16:11
Gostaria de ir aí voar conhcer esse novo sítio... pareceu me interessante.
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#3 Ricardo Mota Leite 2010-02-22 23:20
Boa Bruno. É muito bom conseguir ultrapassar os nossos limites e alargar a zona de conforto em voo, parabéns por estares a conseguir fazer isso em segurança, continua. Um abraço voador!
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#2 Bruno 2010-02-22 21:48
E estou à espera do vídeo... ;-)
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